Elias Santana, filhos e neto
Elias Santana, filhos e netoDécio Joaquim

Citricultura no DNA

Tradicional citricultor e comerciante do sudoeste de São Paulo, Elias Santana começou no setor junto com os pais e agora trabalha lado a lado com filhos e netos.

Elias Santana é um nome conhecido nas regiões de Sorocaba e Itapetininga. Citricultor e comerciante tradicional, Elias convive e participa do desenvolvimento do cultivo de citros nos municípios do sudoeste do estado de São Paulo desde quando veio ao mundo, em uma fazenda citrícola onde seus pais trabalhavam, em 1950. Empresário na cidade de Capela do Alto, Elias Santana é proprietário de um Packing house – uma casa de embalagem para frutas cítricas, que hoje comanda ao lado dos filhos e netos.

A trajetória de Elias começou quando seus pais passaram a plantar laranja em uma pequena propriedade que herdaram, colocando no chão cerca de 400 mudas de citros, entre as laranjeiras ‘Bahia’ e ‘Lima’, e as tangerineiras ‘Poncãs’. “Naquela época, as ‘Peras’ não eram conhecidas”. Segundo Santana, “ninguém falava nada sobre essa variedade”.

Da vida na propriedade, surgiu também o talento para o comércio, pois era necessário vender a própria produção. Procurando alternativas para comercializar a safra, a família Santana encontrou nas feiras livres de municípios vizinhos a chance de negociar suas frutas. Assim foi feito, por exemplo, nas feiras de Tietê, Boituva e Itapetininga, onde, além dos cítricos próprios, vendiam laranjas adquiridas de terceiros e muita melancia e abacaxi, que compravam dos sítios que foram conhecendo ao longo dos anos.

Para conseguir manter os compromissos já assumidos com os clientes, Elias, seu pai e seus irmãos instalaram a primeira máquina de beneficiamento de cítricos na propriedade de Cesário Lange.

“A primeira máquina era bem pequena, menor do que a segunda que instalamos no sítio adquirido no bairro do Congonhal, em Tatuí”, lembra Santana, em uma propriedade que mantém até hoje.

Com o crescimento do negócio, alavancado pela inauguração da unidade da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), em Sorocaba, em 1983, aumentou a necessidade de melhorar o seu ponto estratégico de distribuição de frutas. Foi aí que Elias dobrou o espaço explorado no entreposto, ocupando aproximadamente 66 m2, responsável por canalizar a atenção familiar como o principal foco de escoamento da fruta comercializada. Desta maneira, em 1995 foi construído o atual Packing House, dotado de uma máquina capaz de atender a crescente demanda, trabalhando um volume de frutas bem superior àquele da época de Cesário Lange.

Em família

Atualmente, Elias e os filhos possuem cinco sítios. Todos com cítricos, com aproximadamente 50 mil plantas. A produção da família, segundo Santana, “vai toda para a venda in natura; nada para a indústria”, diz. “Temos essa possibilidade por conta do barracão e da nossa estrutura de comercialização. Mas o esforço é muito grande na tentativa de minimizar a quantidade de frutas de qualidade insuficiente para o mercado”, afirma Santana, que reforça seu lema de trabalho: “refugo zero”.

Sobre a produção própria, alcança uma produtividade acima da média da região. Os pomares possuem ótimo enfolhamento e uma coloração que demonstra os tratos culturais efetuados. As variedades acusam o objetivo principal, que é a produção voltada para o mercado de fruta fresca: laranjas ‘Bahia’, ‘Valência’, ‘Charmute’, ‘Lima Verde’, ‘Pera’, ‘Folha Murcha’ e ‘Natal’, além da tangerina ‘Poncã’. O uso de variados porta-enxertos garante diferentes épocas de colheitas.

A família ainda compra frutas de outros produtores. Mas, diferente de outras épocas, hoje a fruta chega por meio do celular . Não são mais necessárias as longas viagens de caminhão que Elias fazia sozinho e, depois, com os filhos, principalmente para a região de Limeira, onde comprou bastante fruta por anos. De qualquer forma, com a responsabilidade de atender a clientela da Ceagesp, a família Santana continua a trabalhar bastante e agora com mais gente ainda. Givanildo, Giovane e Eliane, os três filhos de Elias com Ivanilda, com quem casou em 1976, administram o recebimento, a embalagem, o envio e a comercialização das frutas. Os cinco netos, José Elias, Júlia, Geferson, Gian e Lucas Gabriel, são promessas para o futuro. Futuro bem próximo, considerando o interesse e o entusiasmo de todos com o negócio da família.

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