John William Redfern Junior
John William Redfern JuniorDécio Joaquim

Foco em produtividade para superar a crise

Essas são as palavras do presidente da Defensive e Agrovant, John William Redfern Junior.

Formado em engenharia agronômica pela Unesp de Jaboticabal, John criou a Defensive em 2000 com a missão de trazer ao mercado uma linha de produtos especializada na agricultura brasileira, com atuação em todo território nacional. John também é agricultor. É produtor de eucalipto e pecuarista no Mato Grosso do Sul.
Nesta entrevista, ele conta um pouco da trajetória de sua empresa no Brasil, os impactos da crise econômica em seu negócio e também perspectivas para a citricultura nos próximos anos. Confira!

Ciência & Prática – Como é a atuação da Defensive no Brasil?

JOHN WILLIAM REDFERN JR – A Defensive possui um catálogo de produtos exclusivos desenvolvidos com as melhores tecnologias mundiais, e que têm como objetivo agregar e ajudar cada vez mais na melhoria da produção dos agricultores, nas culturas de citros, café, maçã, tomate, batata, uva, manga e hortícolas.
O grupo conta com um blend de produtos agroquímicos premium, como fungicidas , inseticidas, antibrotantes e especialidades como bioestimulantes, protetores solares, indutores de resistência, sanitizantes e nutrientes, entre outros.

C & P – A empresa tem uma história junto dos citricultores. Conte-nos um pouco dessa trajetória.

JOHN – Desde muito antes de sua fundação, em 1985, a empresa iniciou suas atividades buscando tecnologias mundo afora para transferir aos nossos principais clientes iniciais, que foram os citricultores.
É o caso de produtos como o Abamex e um dos primeiros fosfitos do Brasil, o Maxfitus. Nesta construção de um relacionamento sério e duradouro com os citricultores, a empresa sempre se notabilizou por importar produtos com qualidade reconhecida. Outra marca da empresa é nossa preocupação com o suporte técnico destas tecnologias importadas e sua constante busca pelo apoio dos pesquisadores e dos consultores de citros. Estamos ao lado de grandes centros de pesquisa, como a Unesp de Jaboticabal e o Centro Apta Citros de Cordeirópolis. Outros produtos especiais para citros são Seacrop (extrato de alga) e o Indumax (ácido fosforoso protonado), vindos respectivamente da Irlanda e da Espanha, com muitos experimentos científicos realizados na cultura e com muitos benefícios apresentados, principalmente com aumento de produtividade e controle fitossanitário. Somos parceiros dos maiores produtores de fruta de mesa, de fruta para indústria e também dos grupos citrícolas. Comercializamos e transferimos tecnologias a todo o segmento citrícola.

C & P – Como o grupo atua perante o momento vivido pela citricultura?

JOHN – Sobre o momento vivido pela citricultura, temos a compreensão de que a crise tirou do mercado muitos produtores. Entretanto, como sempre durante e depois de uma crise que não foi somente de preço, tivemos também o avanço do Greening e o Cancro Cítrico. Então houve uma seleção no setor e permaneceram os que estavam mais preparados. Para sobreviver a uma crise, é necessário, além do trabalho e da perseverança, ter foco na produtividade. Aí é que entram nossos produtos e suas tecnologias de ponta envolvidas, que sustentam e entregam um resultado agronômico melhor.

C & P – A empresa é uma importadora. Quais os reflexos da desvalorização do real no negócio?

JOHN – Com a desvalorização do real, nossos produtos acabam encarecendo o produto agrícola que chega à mesa do consumidor nacional e estrangeiro. Nossos produtos são necessários para a sobrevivência de muitas culturas e, sem eles, os produtores perdem muito mais. O consumo existe, é uma necessidade, mas o reflexo direto dessa desvalorização é sem dúvida a redução do consumo. Por um longo período, nós nos utilizamos das operações de proteção hedge, que hoje, pela volatilidade da moeda estrangeira bem como pelo seu alto custo no mercado futuro, não é mais interessante.

C & P – Os cenários político e econômico do Brasil interferem nas negociações comerciais? De que forma isso acontece?

JOHN – Interferem nas negociações e na competitividade, já que o Brasil hoje é visto com menos credibilidade frente ao mercado internacional. Porém, como temos ótima gestão financeira aliada a um ótimo relacionamento com os fornecedores internacionais, conseguimos administrar esse cenário de uma forma que esses problemas não afetem nossos clientes.

C & P – Existe uma crise, de fato?

JOHN – Existe, mas ela é menor na agricultura, pois é o setor menos atingido. Mas sabemos que tudo é interligado. E para isso termos que ser inteligentes e traçar estratégias com cautela para que possamos nos manter firmes e competitivos diante do cenário desfavorável.

C & P – Quais suas sugestões para que a citricultura se mantenha em patamares mais sólidos?

JOHN – A primeira sugestão é foco na produtividade. Outra iniciativa é buscar o mercado de fruta fresca e também as novas indústrias de suco que estão focando o mercado nacional, em franco crescimento. Depois, precisamos buscar regras mais claras de negociação com as indústrias. Isso passa pelo fortalecimento das organizações de representação dos citricultores.

C & P – Pela sua experiência, a citricultura ainda é um bom negócio?

JOHN – Sim, certamente, pois se trata de um setor altamente tecnificado e completamente aberto às novas tecnologias. E, com raras exceções, sempre foi um setor adimplente, de liquidez e seriedade.

C & P – Avaliando o setor como um todo, quais são suas sugestões para um maior desenvolvimento da agricultura no Brasil?

JOHN – Fazemos parte do agronegócio. É o melhor setor produtivo do Brasil e o que mais cresce. Também é o agronegócio o único representante do “Pib positivo”. Nossa sugestão é acreditar que mudanças acontecerão e este cenário atual de incertezas irá se desfazer.
Necessitamos de menores taxas de impostos, necessitamos de investimento sério em infraestrutura e melhorias no setor viário. Também precisamos de uma melhor gestão agrícola nacional, com um plano de metas para responder à alta demanda de alimentos que o mundo já sinaliza para um futuro próximo. Temos as melhores terras, ótimo clima e temos área para crescer. Também temos excelentes empresas e cooperativas fortes, todas as multinacionais de agroquímicos, máquinas e insumos atuando aqui. Isso sem contar que o agricultor brasileiro é de “tirar o chapéu”, pela sua obstinação em produzir, independente das circunstâncias contrárias.

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