Décio Joaquim
Panorâmica Décio Joaquim

Estimativa da safra de laranja aponta 245 milhões de caixas

décio Joaquim

Consultor Campo Consultoria/GTACC

deciojoaquim@uol.com.br

 

Divulgada em 245,74 milhões de caixas de 40,8 kg, a produção estimada de laranja para a safra 2016/17, segundo o Fundecitrus, em cooperação com a Markestrat, Fea/Usp e FCAV/Unesp. O número é resultado da avaliação feita nas várias regiões produtoras do estado de São Paulo e Triângulo Mineiro. Ao mesmo tempo, o levantamento do inventário citrícola dessas duas áreas totalizou, aproximadamente, 465 mil hectares de cítricos, o que representa uma redução de 6% em relação ao ano de 2015

A estimativa da safra de laranja 2016/17 publicada em 10 de maio de 2016 pelo Fundecitrus – Fundo de Defesa da Citricultura, é de 245,74 milhões de caixas de 40,8 kg. O total inclui: 84,48 milhões de caixas de Valência e Folha Murcha; 70,38 milhões de caixas de Pera; 45,86 milhões de caixas de Hamlin, Westin e Rubi; 31,54 milhões de caixas de Natal; e 13,48 milhões de caixas de Valências precoces, Seleta e Pineapple.

Esta produção é 18% menor que a da safra anterior (estimada em 300,6 milhões de caixas de 40,8 kg). A comparação por época de maturação das variedades resulta nas seguintes diferenças: menos 19% para as precoces, menos 14% para as variedades de meia-estação e menos 20% para as tardias.

Os setores Centro e Sudoeste de São Paulo, juntos, respondem por 55% da produção estimada, com quantias praticamente iguais, especificamente, 68,27 e 67,92 milhões de caixas. No entanto, as áreas com pomares adultos são muito diferentes: o Centro apresenta 110,9 mil ha e o Sudoeste, apenas, 71,1 mil ha (36% a menos), proporcionando uma produtividade maior para este último, de 35%, com uma média de 956 caixas de 40,8 kg/hectare.

O setor Noroeste, com 41,8 mil ha com pomares adultos, que representam 11% do total, tem a menor produtividade média entre os setores, com 373 caixas/hectare, apenas 40% das 956 caixas obtidas no setor Sudoeste, o mais produtivo.

Em relação à safra 2015/16, o setor Norte apresentou a maior queda percentual na produtividade média por hectare, reduzindo de 792 caixas/ha para 496 caixas de 40,8 kg/hectare nesta safra atual, significando uma redução de 37%. Os setores Noroeste, Sul e Sudoeste, também tiveram suas produtividades médias reduzidas, respectivamente, em 17%, 15% e 9%. Apenas o setor Centro apresentou uma discreta elevação, passando de 613 para 616 caixas de 40,8 kg/hectare nesta safra.

A produtividade média por árvore diminuiu em 19% na safra atual com a estimativa de 1,40 caixas de 40,8 kg/árvore, contra 1,73 caixas/árvore na última safra. O total estimado de árvores em idade produtiva é de 175,6 milhões, aumento de 0,8% em relação à safra 2015/16. As variedades contempladas nesta estimativa representam 97% das árvores e também 97% da área de pomares de laranja que compõem o inventário do ano agrícola vigente.

Mais de 90% do cinturão citrícola é formado por quatro variedades: Pera, que lidera com 35% das árvores, seguida pela Valência (29%), Hamlin (12%) e Natal (11%).

Frutos por árvore

O número médio de frutos por árvore em abril/2016, sem considerar a queda que ocorrerá ao longo da safra, foi mensurado em 430 frutos por árvore, sendo 14% menor em comparação com abril/2015. A safra atual teve, portanto, um baixo pegamento de frutos, embora tenha apresentado alta intensidade de floração. Esta redução foi desencadeada pelas condições climáticas observadas no período entre outubro de 2015 e início de abril de 2016, influenciado pelo “El niño”, fenômeno ligado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico e que, entre outras consequências, aumenta a temperatura do ar em todo o Globo, alterando o regime de chuvas.

O florescimento que começou a surgir no final de agosto e intensificou em setembro e outubro, foi abundante em todas as regiões produtoras, em razão das árvores terem ficado menos carregadas na safra antecedente – portanto, com níveis mais elevados de reserva energética – e das condições climáticas favoráveis no início da temporada. Porém, as altas temperaturas observadas em setembro e outubro de 2015 na maior parte do cinturão citrícola contribuíram para o desequilíbrio hormonal, culminando em um expressivo abortamento de chumbinhos. Dados do monitoramento climático realizado pela Somar Meteorologia mostraram que a média das temperaturas máximas, registrada durante as tardes em outubro, chegou a 4,63ºC mais elevada que a média histórica (dados interpolados entre 1960 e 1990), com maiores desvios nas regiões de Porto Ferreira, Brotas, Altinópolis, Limeira e Triângulo Mineiro.

O número de frutos por árvore, embora sofra influência de outros fatores como idade da planta, está fortemente relacionado à variedade. Em abril/2016 – momento em que as árvores foram derriçadas – para o grupo das precoces foram apurados, em média, 523 frutos/árvore. Como já é conhecido, as variedades deste grupo são mais produtivas do que as demais e, nesta safra está estimada em 22% acima da média. Na sequência vem: a variedade tardia Natal com 500 frutos/árvore, as outras precoces com 475 frutos/árvore, as tardias Valência e Folha Murcha com 409 frutos/árvore e, por último, a Pera com 378 frutos/árvore.

Todos os valores da produção, estratificados por setor, por idade das plantas e por variedades, podem ser obtidos em um relatório bem amplo divulgado através do site do Fundecitrus (www.fundecitrus.com.br).

Estatística