Voo Barreiro
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O sistemático combate às plantas infestantes

Edison Baldan Junior

Consultor/Baldan Soluções Criativas

juniorrbaldan@hotmail.com

 

Após o último corte da área, ela deverá ser direcionada para renovação e entrará no manejo integrado com soja resistente à Glifosato. Os benefícios desse manejo serão evidenciados durante o ciclo seguinte, refletindo na redução das proporções do banco de sementes das plantas daninhas e, por conseguinte, no aumento do potencial produtivo da área

No período chuvoso (entre os meses de outubro a março, no estado de São Paulo), com certeza, o desenvolvimento das plantas daninhas é mais favorecido, por conta de sua biologia.

Os aumentos de temperatura e umidade, uma maior intensidade da luminosidade – próprios dessa época – aliados às práticas de preparo de solo e cultivo, desencadeiam o processo da quebra da dormência dos diversos bancos de sementes e de propágulos vegetativos, ativados mais intensamente.
Com isso, tornam-se essenciais as atividades que visam o controle das plantas daninhas, procurando evitar a mato-competição, prejudicial às culturas agrícolas.

De um modo geral, o melhor período para esse controle é, sempre, na pré-emergência da cultura e das daninhas, o que nos leva a associá-lo à época imediatamente após a colheita. A aplicação de produtos pré-emergentes nessa situação elimina o risco da ocorrência de uma possível fitointoxicação, por conta do eventual contato dos herbicidas aplicados com a cultura já emergida. No período chuvoso, porém – com maior atividade do metabolismo – aumenta a eficiência dos produtos – uma vez que as condições climáticas proporcionam a germinação de uma maior concentração de plantas daninhas. Mas para não colocar em risco a produtividade da cultura, o melhor período é logo após a colheita.

Aproveitando a constatação de que em condições mais favoráveis será maior a adsorção dos herbicidas pela solução do solo, a eficiência dos herbicidas será maior em períodos chuvosos, auxiliados – como já citado – pela maior ocorrência das daninhas.

Devido aos milhões de anos que foram expostas a condições desfavoráveis, as raízes das plantas daninhas adquiriram maior eficiência na absorção de água, quando comparadas à cultura da cana-de-açúcar, o que, consequentemente, aumenta a absorção dos herbicidas pelas plantas daninhas, favorecendo o controle. Dessa forma, o sistema de pré-emergência promove condições mais favoráveis à seletividade para a cultura que absorve menos água e, evidentemente, menos herbicida. Já, nas condições de pós-emergência, tanto as folhas da cultura da cana-de-açúcar, como das plantas daninhas, têm a mesma capacidade de absorção da solução de água com herbicida, aumentando a exposição e o risco à fitotoxidez e à redução de produtividade.

Existem herbicidas que podem ser usados tanto na seca como em períodos mais úmidos e apresentam seletividade a cultura. Já, alguns outros herbicidas são específicos para épocas secas. Geralmente os herbicidas de seca apresentam maior solubilidade e maior período residual.

É bom certificar-se das características que um herbicida de período chuvoso deve ter.
Primeiramente o herbicida deve apresentar seletividade a cultura, pois durante o período chuvoso a cultura da cana-de-açúcar expressa seu maior potencial produtivo. Quando falamos de gramíneas, os herbicidas de baixa a média solubilidade são mais indicados, pois geralmente as sementes das gramíneas se encontram em uma camada do solo mais superficial (entre 0 a 5 cm) e quando pensamos em folhas largas, a germinação ocorre tanto em camadas superficiais quanto em camadas mais profundas do solo (entre 0 a 15 cm). Dessa forma, é recomendado associar herbicidas que apresentem solubilidades baixa, média e alta, para que possam entrar em contado com as várias camadas de solo onde ocorrem germinação e brotação das sementes e dos propágulos vegetativos das plantas daninhas.

Outro ponto importante a considerar, diz respeito à renovação das áreas do canavial e como deverá ser feita a desinfestação da referida área antes de novo plantio.

Tudo começa com um ótimo alicerce. A melhor maneira de desinfestar uma área é através do manejo integrado. O manejo integrado é – e sempre será – o mais contemporâneo método de redução do banco de sementes. Quanto maior o banco de sementes, maior a necessidade do manejo integrado possuir maior número de  métodos de controle (mecânico, físico, cultural e químico, na pré-emergência e pós-emergência). Dessa forma, o manejo integrado usando a rotação de cultura com soja resistente a glifosato, é a melhor opção. A oportunidade do uso do glifosato durante o ciclo da soja, associado ao pré-emergente – utilizado na cultura da soja – assegura um controle de, praticamente, 100%. Isso ocorre devido ao banco de sementes ser exposto a inúmeros métodos de controle durante um longo período – praticamente um ano, entre a eliminação do canavial, a rotação com a soja e o plantio da cana.

Tudo isso, associado à otimização da terra, geração de renda para o produtor e a economia local, junto com a redução do banco de sementes e o aumento da produtividade devido aos benefícios agronômicos da rotação de cultura.

Portanto, as usinas devem ser criativas nas áreas de renovação e conhecer as intensidades de seus bancos de sementes, a fim de se determinar a época e o método a ser implantado na renovação do canavial.

O que se espera é o mínimo de interferência nos processos de produção, focando na redução do banco de sementes, alicerçado por um planejamento que otimize as áreas produtoras.

Uma usina ou um produtor necessitam de cana e ao citar a criatividade e o conhecimento das infestantes, é para a execução de um planejamento de plantio que atenda a demanda de cana e, ao mesmo tempo, objetive a redução do banco de sementes.

Um exemplo dessa importância de avaliação: em áreas com banco de sementes de baixa intensidade, é possível plantar cana de ano ou de inverno. Já, em áreas com alta concentração de sementes, além de propágulos de Grama Seda, é necessário fazer a rotação de cultura com a soja resistente ao glifosato para redução do banco de sementes e eliminação dos propágulos vegetativos. Dessa forma, é possível produzir cana e realizar a redução do banco de sementes, tornando as áreas mais produtivas e com maior possibilidade do aumento do ciclo do canavial e ai sim, reduzir custos.

Atualmente, os herbicidas são excelentes e estas ferramentas eficientes em nossas mãos permitem o manejo correto das plantas daninhas, mas existem outras dificuldades que, muitas vezes, aparecem para colocar em risco o que se planejou, colocando tudo a perder.

Como Confúcio dizia: “não são as ervas más que afogam a boa semente, e, sim, a negligência do lavrador”.
Observe a importância de se realizar um bom manejo de plantas daninhas nas áreas de renovação de canavial e como isto irá impactar as futuras infestações.

A melhor oportunidade que se apresenta para a redução do banco de sementes, é na renovação e não se deve perder esta chance. Devemos lembrar que o processo mais caro da agroindústria é a colheita. Nos dias atuais, baixas infestações já são suficientes para redução do rendimento operacional e, assim, aumentar a dispersão, desencadeando aumento da população devido à reposição do banco de sementes. Assim, todo trabalho feito na base (na renovação) para a redução do banco de sementes deve ser executado para evitar os danos secundários (na colheita), que já são reflexos dos danos primários (competição por água, luz e nutrientes) e a reposição do banco de sementes. Deve-se ter foco, além de direcionar recursos e esforços para a redução do banco de sementes, aproveitando esta oportunidade para junto garantir a manutenção da soca e o sucesso no controle de plantas daninhas durante um ciclo longo e produtivo.

60ª edição

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