Sylvio Moreira
39ª Semana da citricultura e 43ª Expocitros reúnem mais de 5.000 pessoasSylvio Moreira

Fique por dentro de tudo que aconteceu na 39ª Semana da Citricultura

Danila Corassari

Engenheira Agrônoma

danilacorassari@gmail.com

 

Novas informações e atualizações científicas e tecnológicas para o setor foram anunciadas durante o evento.

Mais de cinco mil pessoas voltadas ao setor citrícola se reuniram na 39ª Semana da Citricultura para discutir os principais desafios enfrentados pela cadeia produtiva no Estado de São Paulo. O evento ocorreu no Centro de Citricultura “Sylvio Moreira” em Cordeirópolis-SP, de 5 a 8 de junho de 2017.

Durante a sessão de abertura, que contou com a presença do Secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, deputado Arnaldo Jardim, foram premiados o gerente geral do Fundecitrus Antônio Juliano Ayres, o professor Antonio de Goes e a Associação Brasileira de Citros de Mesa. Na ocasião, Jardim anunciou a criação de ações conjuntas para o controle do Huanglongbing (HLB/Greening), que envolverão a Secretaria, além de instituições públicas e privadas.

Greening

O segundo dia do evento esteve voltado à fitossanidade dos citros, com destaque para o Greening, considerado hoje uma das principais doenças da cultura. O ciclo de palestras foi iniciado pelo pesquisador Silvio Lopes, do Fundecitrus, que mostrou a relação da dinâmica de brotação no controle do agente transmissor da doença. O doutorando em Entomologia pela Esalq/USP Vitor Hugo Beloti apresentou resultados promissores sobre o uso de curry como planta-isca no controle do psilídeo (agente transmissor do Greening).

O rápido progresso da severidade de sintomas e a queda na produção de plantas cítricas devido ao HLB foram mostrados por Renato Bassanezi, do Fundecitrus. Segundo ele, quatro anos após os primeiros sintomas da doença, a severidade pode atingir 50% da copa e reduzir em 60% a produção de frutas. O pesquisador também enfatizou sobre as principais consequências de não erradicar plantas com HLB.

A discussão sobre plantas cítricas geneticamente modificadas resistentes ao Huanglongbing ficou com o pesquisador do Centro de Citricultura/IAC Marcos Machado, que explicou sobre as etapas na obtenção de citros geneticamente modificado e as principais abordagens de pesquisa com essa planta.

José Belasque Junior, Professor da Esalq/USP, expôs os principais desafios da citricultura quanto ao manejo do HLB e do psilídeo. Ressaltou ainda a importância da adoção de medidas conjuntas pelo setor público e privado para a sustentabilidade da citricultura.

Décio Joaquim
43ª Expocitros ocorre no Centro de Citricultura “Sylvio Moreira” simultaneamente com a 39ª semana da citricultura.

O pesquisador Marcelo Scapin, do Fundecitrus, explicou o aplicativo SPIF (Sistema de Pulverização Integrado do Fundecitrus), que tem como objetivo auxiliar na adequação da dose e volume das pulverizações. A palestra de Rodrigo Sousa Sassi, da Citrosuco, esteve voltada ao manejo integrado do HLB, mais especificamente o monitoramento do psilídeo, erradicação de plantas sintomáticas, pulverização terrestre e aérea, monitoramento de vizinhos e controle biológico com Tamarixia radiata.

O Dr. Diogo Manzano, do Centro de Citricultura/IAC, explicou sobre o funcionamento do RNA de interferência (RNAi) e apresentou estudos com resultados promissores do seu uso no controle de Diaphorina citri (psilídeo).

A palestra de encerramento do dia foi a dos pesquisadores Eduardo Feichtenberger, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) – regional de Sorocaba – e Geraldo José da Silva Júnior, do Fundecitrus, que deram informações relevantes sobre os principais métodos de controle da pinta preta dos citros, como adotar medidas preventivas, práticas culturais e controle químico. Eles ressaltaram a importância de utilizar fungicidas apenas à base de cobre e estrobilurinas para controle da doença.

Nutrição

A nutrição de citros foi o assunto que levou o auditório a atingir superlotação no dia 07 de junho. O pesquisador Fernando Alves de Azevedo, do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, foi o primeiro a dar a palestra e falou sobre o manejo correto das plantas de cobertura no solo e sua importância para a sustentabilidade do citricultor. De acordo com ele, esta técnica, além de elevar a produtividade, proporciona maior conservação do solo.

A palestra seguinte teve como tema o “Manejo de nutrientes com ênfase na qualidade de frutos” e foi feita pelo pesquisador Dirceu de Matos Júnior, do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC. Ele enfatizou que a qualidade de frutas depende dos diferentes nichos de mercado, e é influenciada por fatores controláveis, como a adubação, e não controláveis. Ele apresentou trabalhos que comprovam a influência dos nutrientes nos parâmetros de qualidade de frutas e deixou claro que com planejamento da adubação é possível obter ganhos de produtividade e qualidade de frutas cítricas.

O pesquisador Rodrigo Marcelli Boaretto, do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, chamou a atenção sobre a importância do micronutriente Molibdênio no manejo da nutrição de citros. “O molibdênio é o elemento mais importante que ninguém sabe”, afirmou Boaretto. Ele explicou com embasamento científico a relevância deste micronutriente na assimilação e eficiência de uso do nitrogênio e sua influência na redução da abscisão foliar e aumento da espessura das folhas.

José Antônio Quaggio, do Centro de Solos do IAC, destacou a importância do cálcio para o citros. “Todos os tecidos da planta cítrica têm mais cálcio do que nitrogênio, exceto no fruto”, apontou. Ele também apresentou as principais fontes de cálcio que podem ser utilizadas nas plantas cítricas.
A palestra de Heitor Cantarella, do Centro de Solos do IAC, foi sobre o projeto “Nutrientes para a Vida”, que tem como objetivo informar aos produtores brasileiros a importância e os benefícios dos fertilizantes na produção e qualidade dos alimentos.

Décio Joaquim
GTACC participa da 43ª Expocitros.

Edson Luis Rigotto, da Citrosuco, iniciou a sequência de palestras sobre “Inovação em Citros”, informando sobre tendências e como está atualmente o mercado global de bebidas e de suco de laranja. Além disso, apresentou os principais parâmetros de qualidade das diferentes variedades comerciais de laranja, e os pontos positivos e negativos destas variedades para a indústria.

O pesquisador da EMBRAPA Marcos David Ferreira exibiu os principais danos na qualidade das frutas cítricas durante a colheita e transporte na pós-colheita, e mostrou resultados de estudos sobre colheita manual, mecanizada e auxiliada, além de equipamentos que realizam análises não invasivas de qualidade de frutas cítricas.

A palestra sobre as principais vantagens e desvantagens da irrigação como ferramenta para antecipar o florescimento de laranjeiras foi feita pelo consultor Humberto Vinícius Vescove, membro do GTACC. Alexandre De Sene Pinto, do Centro Universitário Moura Lacerda, finalizou o dia salientando a importância do controle biológico e exibiu os principais tipos de drones para a liberação de parasitoides e predadores na agricultura em geral e na citricultura.

No quarto dia do evento, a sessão durante o período da manhã foi sobre economia e política e contou com a presença da Associtrus. O assunto foi o processo de verticalização do setor citrícola, a situação dos citricultores e as principais perspectivas para a citricultura.

Marcela Oliveira, da empresa Tetra Pak, falou sobre o mercado de suco 100% no Brasil, que ainda é baixo. Ela apresentou os principais desafios desse negócio: investir em públicos, como o infantil, e difundir o produto além da classe A e B para a classe C.

Ibiapaba Neto, diretor executivo da CitrusBR, mostrou a redução no consumo e na exportação do suco de laranja na Europa, e o que tem sido feito para reverter esse quadro. Ele anunciou a realização de uma campanha conjunta com produtores, indústrias e engarrafadores a fim de divulgar aspectos positivos do suco de laranja para a população europeia e equilibrar a oferta e demanda e, consequentemente, melhorar as perspectivas para o futuro do setor.

O inventário de plantas cítricas, o perfil dos pomares de laranja no cinturão citrícola e a metodologia para a estimativa da safra pelo PES foram apresentados por Vinícius Trobin, da Markestrat, e pelo pesquisador Antonio Juliano Ayres, gerente geral do Fundecitrus.

Margarete Boteon, professora da Esalq/USP, apresentou o cenário econômico da citricultura paulista, afirmando que na safra 2016/2017 o preço pago ao produtor pela indústria aumentou em até R$ 26 por caixa de 40,8Kg. Segundo ela, a tendência para a safra 2017/2018 é a manutenção do preço alto para a caixa de laranja, uma vez que a indústria necessita processar um grande volume para repor os estoques.

Décio Joaquim
Pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas compuseram a sessão de nutrição no terceiro dia do evento.

No dia 8 de junho, o engenheiro agrônomo Marlon Peres da Silva, da Coordenadoria de Defesa Agropecuária, preludiou a sessão de fitossanidade em citros, com destaque ao cancro cítrico. Ele falou sobre a nova legislação da doença, mostrando as principais estratégias adotadas pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo diante da nova legislação.

Roberto Salva, da empresa Citros Salva Mudas Cítricas LTDA, exibiu como era o setor produtivo de mudas cítricas antes da mudança das normas de manejo de cancro cítrico, e afirmou que com a convivência com a doença os cuidados nos viveiros devem ser redobrados. “O Ministério da Agricultura, Coordenadoria de Defesa Agropecuária, Fundecitrus e viveiristas precisam rediscutir as atuais normas de produção de mudas cítricas para a adequação no setor produtivo em ambiente protegido”, sugeriu Roberto.

O pesquisador do Fundecitrus Franklin Behlau falou sobre os avanços no manejo do cancro cítrico. E para encerrar o evento, o pesquisador Sérgio Alves de Carvalho divulgou os principais resultados obtidos em um experimento que avaliou a tolerância de 76 genótipos de laranja doce ao cancro cítrico. Para a obtenção de informações conclusivas, porém, novas avaliações serão realizadas.

Juntamente com a 39ª Semana da Citricultura, foi realizado o 43º Expocitros no Centro de Citricultura “Sylvio Moreira” – um espaço onde se reúnem os principais stakeholders de todo o setor citrícola.

62ª edição