Dr.Marcos David, da Embrapa Instrumentação esclarece quais os principais projetos que tem sido desenvolvidos pela instituição a fim de auxiliar a cadeia citrícola pós-colheita. Foto Danila
Dr.Marcos David, da Embrapa Instrumentação esclarece quais os principais projetos que tem sido desenvolvidos pela instituição a fim de auxiliar a cadeia citrícola pós-colheita. Foto Danila

Instrumentação é utilizada para melhorias na pós-colheita de frutas cítricas

Danila Corassari

Engenheira Agrônoma

danilacorassari@gmail.com

 

A Embrapa Instrumentação tem desenvolvido tecnologias que podem beneficiar a cadeia citrícola, com foco principalmente na pós-colheita

A fruta cítrica é submetida a vários processos até chegar ao consumidor final. Muitas vezes, eles comprometem sua qualidade, afetando toda a cadeia envolvida. Por isso, a Embrapa Instrumentação, localizada no município de São Carlos, tem desenvolvido projetos para melhorar um destes processos, a pós-colheita. O principal objetivo é reduzir os danos aos frutos, fazendo com que chegue ao mercado com suas características originais.

Esquema de Funcionamento do RMN. Foto Joana Silva, Embrapa Instrumentação
Esquema de Funcionamento do RMN. Foto Joana Silva, Embrapa Instrumentação

Atualmente, a principal forma de colheita na citricultura é a manual, atividade considerada árdua e exaustiva. Com isso, um dos trabalhos desenvolvidos pela Embrapa é a plataforma móvel de auxílio à colheita que tende a ser cada vez mais utilizada, devido principalmente à escassez de mão-de-obra.

Segundo o pesquisador da Embrapa Instrumentação Marcos David Ferreira, a principal vantagem da colheita auxiliada é que propicia ao colhedor uma condição de trabalho melhor, proporcionando maior produtividade. Também impacta na qualidade do fruto, pois a colheita manual pode provocar vários danos físicos, já que quanto mais se manuseia a fruta, maior é o dano à sua qualidade.

Equipamento RMN de baixo campo permite a análise da qualidade interna da fruta sem danificá-la. Foto Joana Silva, Embrapa Instrumentação
Equipamento RMN de baixo campo permite a análise da qualidade interna da fruta sem danificá-la. Foto Joana Silva, Embrapa Instrumentação

O equipamento não foi patenteado, houve apenas a transferência do know-how. Atualmente, algumas empresas citrícolas já estão trabalhando com esta tecnologia. Marcos David explica que o principal obstáculo da plataforma móvel de auxílio à colheita é a aceitação do equipamento pelos colhedores que já apresentam bom rendimento, pois não consideram o equipamento vantajoso no trabalho. De acordo com o pesquisador, para que haja aceitação da tecnologia, é necessário o treinamento dessa mão-de-obra.

Outro projeto desenvolvido na instituição é o classificador móvel vertical para beneficiamento e classificação de frutos. Este equipamento é destinado principalmente a pequenos produtores devido a sua mobilidade, compacticidade, e pela não necessidade de utilizar água. O classificador móvel vertical consiste em um conjunto de escovas sobrepostas de forma divergente que possibilita a limpeza do produto, e através de rolos helicoidais é possível classificar os frutos. A tecnologia do classificar móvel vertical foi transferida para uma empresa de automação de processos e controle de qualidade, sendo atualmente utilizada em tomate, porém a tecnologia também pode ser transferida para citros.

Um grande desafio na pós-colheita é determinar a qualidade interna da fruta, ou seja, se está doce ou azeda. A forma tradicional de análise físico-químico consiste na amostragem de fruta, que é danificada e depois descartada. Diante desta problemática, a Embrapa Instrumentação desenvolveu a Ressonância Magnética Nuclear (RMN), tecnologia muito utilizada na área da medicina, agora adaptada para uso agrícola.

“Com o uso do RMN de baixo campo, que é o modelo mais simples de ressonância magnética, é possível quantificar o teor de sólidos solúveis, pH, espessura da casa, vitamina C, ácido ascórbico e acidez titulável”, comenta Marcos David. Além disso, a técnica é mais rápida quando comparada a forma tradicional de análise, e não é destrutiva.

O funcionamento do RMN se dá com um sinal de rádio (ondas) enviado pelo equipamento, via uma antena que fica dentro de um imã onde é colocada a amostra de fruta (veja figura). A antena permite que o sinal de rádio penetre no alimento. O sinal é analisado em um computador que converte, por meio de quimiometria, os dados sobre a qualidade da fruta.

Outra vantagem do RMN é em relação à validade de calibração. Segundo o pesquisador, em estudo desenvolvido em variedades distintas de citros por três safras consecutivas, não foi necessário calibrar novamente o equipamento. Isso significa que ainda não foi verificada uma validade para calibração do equipamento.
No momento, o equipamento está sendo testado pela empresa privada Fine Instrument Technology (FIT), que aposta nesta tecnologia rápida e não destrutiva.

63ª edição

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