Furacão Irma atinge a Flórida com intensidade 4. Foto El País
Furacão Irma atinge a Flórida com intensidade 4. Foto El País

Panorama sobre a produção citrícola nos Estados Unidos

Arlindo de Salvo Filho

Eng°. Agr°. Consultor/GTACC

arlindoconsultor@gmail.com
Danila Corassari

Engenheira Agrônoma

danilacorassari@gmail.com
Humberto Vinícius Vescove

Consultor Vescove Consultoria, GTACC

vescoveconsultoria@gmail.com

 

Califórnia, pela primeira vez, tende a produzir mais citros que o Estado da Flórida cuja produção foi comprometida devido ao furacão Irma.

A produção de citros no Estado da Flórida

No dia 10 de setembro, o maior Estado produtor de citros nos Estados Unidos, a Flórida, foi atingido pelo furacão Irma, com intensidade 4 (a segunda maior na escala Saffir-Simpson). Os principais danos causados à cultura foram a queda de frutos ainda verdes, quebra de galhos e pomares arrancados devido à força do vento, além do alagamento do solo.

Antes de o furacão Irma causar estragos à Flórida, a estimativa de produção de citros do Estado era de 70 a 76 milhões de caixas. Porém, com a chegada deste fenômeno meteorológico, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou redução, estimando uma produção de 54 milhões de caixas.

A Flórida Citrus Mutual (FCM) discordou do anúncio da USDA, pois em pesquisa realizada com citricultores após o furacão Irma, foi verificado perdas de 50 a 100% de frutas na região sudoeste do Estado e divulgou uma estimativa de 31 milhões de caixas. Isso significa que colherá o menor volume de frutas em 70 anos e o déficit de suco será abastecido principalmente pelo Brasil e pelo México.

O grande questionamento que fica é se os citricultores da Flórida terão ânimo para continuar com a atividade, pois além das perdas diretas ocasionadas pelo furacão Irma, a tendência é que aumente a incidência de doenças de raízes em áreas que foram alagadas, além do cancro cítrico e o greening, a principal doença do Estado.

Furacão Irma provoca a queda de árvores na flórida. Foto Arlindo de Dalvo Filho
Furacão Irma provoca a queda de árvores na flórida. Foto Arlindo de Dalvo Filho

A Citricultura na Califórnia

Por outro lado, a produção de citros na Califórnia tende a ser, pela primeira vez, superior à Flórida, com uma estimativa de produção de mais de 70 milhões de caixas. No entanto, a maior parte da fruta da Califórnia é vendida na forma in natura, destinada tanto ao mercado interno quanto externo. Apenas de 5 a 8 milhões de caixas são direcionadas à indústria de suco de laranja.

De forma geral, os pomares na Califórnia são velhos, com plantas chegando a mais de cem anos de idade. São cultivadas principalmente Tangerinas e Navelinas, com porta enxertos Citrange Troyer e Carrizo principalmente. As plantas mais velhas são pouco adensadas, com um espaçamento médio de oito metros entre linhas de plantio e cinco metros entre plantas. Os pomares mais novos têm sido mais adensados.

A citricultura é irrigada, uma vez que o clima não permite plantios sem irrigação, e para manejo da irrigação, os produtores utilizam tensiômetros ligados a antenas, por meio dos quais os dados são transmitidos via rádio a uma central de monitoramento.

Quanto ao greening, ainda não foi verificado pomares comerciais contaminados, mas a doença já foi encontrada em plantas cítricas domésticas, presentes em grande quantidade de quintais californianos. Dessa forma, são essas árvores uma fonte de inóculo, o que aumenta o risco de disseminação da doença.

63ª edição

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