A renovação de pomares  sob a ótica do citricultor

A renovação de pomares sob a ótica do citricultor

Gizele Cristina Cassiano, engenheira agrônoma formada pela Faculdade de Agronomia Dr. Francisco Maeda, da Fundação Educacional de Ituverava, em 1999, mestre em Microbiologia pela Unesp – Universidade Estadual Paulista, Campus de Jaboticabal, em 2003, citricultora há 14 anos, é produtora em uma área de 175 hectares na região de Palestina, SP. Gizele conta à revista Ciência & Prática, sobre o processo de renovação dos pomares de suas fazendas e dá sugestões para os citricultores que pretendem reformar suas áreas de citros.

C&P – As fazendas São João e Alvorada passaram, há pouco tempo, por um processo de renovação dos pomares de citros. Comente como foi realizada essa reforma.

GIZELE CRISTINA CASSIANO – A renovação dos pomares foi feita gradativamente, erradicando-se primeiro os talhões com as menores produtividades. O impacto nas receitas foi grande, mas a redução dos custos compensou os investimentos. Foi uma decisão difícil, tomada em conjunto com meu pai e com o consultor Humberto Vescove, após uma análise criteriosa e a montagem de um planejamento detalhado. Com a renovação, continuamos com o mesmo número de plantas, porém em área bem menor, graças ao adensamento de plantio, que também nos possibilitou plantar outra cultura, diversificando nossa produção.

C&P – Quais foram as principais razões para que vocês optassem pela reforma das áreas de citros nas fazendas?

GIZELE CRISTINA CASSIANO – O alto custo da produção foi a principal razão para a reforma das áreas de citros, pressionado pela baixa remuneração praticada na ocasião. Nossas propriedades, também, estavam com talhões muito velhos, que ficaram debilitados com a seca ocorrida por dois anos seguidos, tornando a reforma inadiável.

C&P – Relate e explique os principais desafios enfrentados para a implantação de novos pomares nas fazendas.

GIZELE CRISTINA CASSIANO – Destaca-se o planejamento financeiro, pela dificuldade de conseguir recursos e pela redução temporária de receitas. O treinamento e a conscientização dos funcionários, que tiveram que se adequar a nova rotina das propriedades, com o adensamento do plantio e a necessidade de uma agenda mais rígida de inspeções, pulverizações, adubações, aumento da coleta de informações relacionadas à atividade – devido ao surgimento do Greening – e dos cuidados com a nova cultura. Por fim, o controle das plantas daninhas em pomares novos tornou-se mais complexo, sendo necessário o uso combinado de vários produtos herbicidas para chegarmos a uma boa relação controle x custos.

C&P – Comente sobre suas expectativas para a produção das fazendas São João e Alvorada para os próximos anos.

GIZELE CRISTINA CASSIANO – Atualmente, contamos com todos os talhões reformados, mas nem todos estão, ainda, em sua plena produção. O aumento de produtividade por área é grande e nem se compara com os talhões de antigamente. Esperamos que a produção aumente de forma crescente nos próximos anos.

C&P – Quais manejos estão sendo – e serão – adotados nos pomares recém-instalados para tenderem as expectativas?

GIZELE CRISTINA CASSIANO – No plantio adensado é fundamental realizar a poda. Essa é a próxima etapa, sendo que quanto antes melhor, para não perder eficiência nas pulverizações ou mesmo na produção.

C&P – De acordo com sua experiência, qual é o custo médio para realizar a renovação de pomares de citros?

GIZELE CRISTINA CASSIANO – O nosso cálculo foi de R$ 40,00 por planta nos primeiros 3 anos, considerando que o novo plantio foi instalado com irrigação e realizado com uma densidade de 550 plantas por hectare.

C&P – Quais são suas sugestões para um citricultor que pretenda realizar a renovação de seus pomares?

GIZELE CRISTINA CASSIANO – É muito importante buscar informações sobre os custos de reforma para se programar bem para os gastos de implantação, e para a perda temporária de receita. Sugiro também aos citricultores fazerem uma análise da produtividade e levantamento dos custos dos talhões, para identificar os que serão reformados primeiro e a partir daí, montar um cronograma de reforma e realização dos novos plantios. Na última safra antes da substituição, é possível economizar muito no tratamento dos talhões que serão erradicados. É importante erradicá-los o mais rápido possível, evitando a disseminação de pragas e doenças.

C&P – Faça um comentário final relatando seu ponto de vista sobre a reforma de pomares de citros e o panorama agrícola brasileiro.

GIZELE CRISTINA CASSIANO – A citricultura sofreu grandes mudanças nos últimos anos desde a maneira do manejo, reforma nos pomares e mudança destes para outras regiões com uma menor incidência de Greening. Atualmente, porém, com a disseminação dessa doença em todas as regiões, o limitante para a safra brasileira passou a ser o clima. As altas temperaturas na fase de florescimento e frutificação diminuíram a produção dos últimos anos, o que afetou os estoques de suco concentrado congelado, paradoxalmente, proporcionando uma alta nos preços, que foi bem-vinda pelos citricultores os quais sofreram muito com os baixos preços praticados nos últimos anos.

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